Ingrid Konrath
Psicologia e Psicoterapia
Psicologia e Psicoterapia
Psicóloga fala sobre os desafios da Paternidade contemporânea
Pesquisa revela que muitos pais estão deixando os papéis tradicionalmente atribuídos a eles para educar seus filhos de uma forma diferente. A pesquisadora sobre o novo papel do pai no século 21 é Ingrid Konrath, psicóloga e mestre em Educação. Ela conversou com o Conexão Senado sobre os desafios da sociedade moderna, destacando as interações nas novas configurações de família e paternidade.
Pai Contemporâneo
Levar o filho ao médico, escola ou se preocupar com o futuro da criança. As mudanças presentes no século 21 estão aí para mostrar que a parentalidade não precisa, nem deve, ser exercida apenas pela mãe. É em torno da relação entre a figura paterna e os filhos que a psicóloga e mestre em Educação, Ingrid Konrath, põe o foco em “Paternidade – Um percurso para aprender e ensinar sobre o ser pai".
O livro é resultado de uma pesquisa de campo em que a autora buscou entender melhor as complexidades da paternidade, Ingrid conversou com os pais para saber o que sentem e têm a dizer sobre as experiências e responsabilidades de estar neste papel. A partir desse íntimo diálogo com homens de diversas idades e, principalmente, com filhos na primeira infância, Ingrid desvenda questões cruciais sobre convivência, dúvidas e desafios que enfrentam.
A autora percorre, durante oito capítulos, temas como a função simbólica da figura paterna, as responsabilidades, carência e ausência. Também entrelaça a pesquisa com dados mundiais e nacionais sobre comportamento familiar e faz análise das imposições sociais do progenitor.
A especialista identifica, por meio da psicanálise, que a relação paterna reside muito no silêncio masculino, na escassez de diálogo e na dificuldade de expressão neste campo. A principal observação é, no entanto, que o pai contemporâneo deseja mudar, ser uma figura mais sensível, afetiva e dispor de mais tempo para a criação e o lazer em família. Ele começa a traçar um caminho de rejeição do tradicional pai “durão”, frio e distante, uma provável referência à própria infância. O livro não apenas explora teorias e estatísticas, mas busca trazer significado para o cotidiano.
Presença paterna e participação no cotidiano
Para os pais que vivem uma rotina corrida de trabalho, como estar presente na vida de uma criança? Participar no dia a dia do filho vai além do prover e controlar, sendo necessário para educar os jovens, inteirar-se e participar.
Nas sociedades ocidentais existe a cobrança de mais participação dos homens na vida de seus filhos. Os pais devem entender a decisão de construir uma família como um projeto importante em suas vidas. Com as dificuldades de organizar a rotina, surge o desafio de criar memórias e fazer a diferença na educação dos filhos. Antes, famílias se uniam para produzir coisas para juntas usufruírem do bem-estar alcançado; hoje, se reúnem para consumir, e a internet das coisas compete pela atenção de todos na família.
Os avanços da Inteligência Artificial neste momento levam a reflexões sobre como o mundo do trabalho vai impactar na rotina humana. Os pais e os educadores precisam acompanhar essas mudanças para conseguir mediar as relações entre as pessoas mais jovens e as máquinas, que, pela primeira vez na história, parecem ter vida, sem a necessidade de um piloto humano. Nos perguntamos como vamos interagir com elas? Promover convivência, diálogo e trocas afetivas, com a presença real (não só virtual) oportuniza intimidade e familiaridade.
Para que tudo isso ocorra é necessária a convivência, através do diálogo e trocas afetivas. Em síntese, exercer a paternidade hoje significa estar presente, com responsabilidade, disponibilidade e compromisso afetivo. Um projeto de amor, convivência e cuidado do homem, com sua mulher e filhos.
Ingrid Konrath - CRP 07/02128
Endereço: Av. 24 de Outubro, 1100, sala 504. Moinhos de Vento. Porto Alegre/RS.